Universo Frediano: Novos Começos - Brasil News
Fred Itioka

Universo Frediano: Novos Começos

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Mudar de ano é como mudar de roupa. É como cortar o cabelo, transformar o penteado, o visual. É a vontade de trocar a casca, quase um peeling espiritual.

É o período em que paramos para repensar os caminhos, as escolhas, as atitudes. É como se chegássemos a uma encruzilhada e tivéssemos que optar por uma outra estrada. Acima de tudo é o momento de otimismo, de empoderamento, de força. Principalmente de fé. É aquele suspiro antes de prosseguir.

Durante este respiro, a gente aproveita para jogar no lixo aquilo que não nos pertence mais na tentativa de seguir mais leve. A metáfora serve para as coisas materiais: lá em casa a gente faz uma mega faxina, limpa os armários, guarda-roupas, doa o que pode ser doado. E todo ano eu penso: como a gente acumula coisas! Das gavetas da alma, eu separo o que não serve mais. Tristezas, decepções, problemas mal resolvidos, problemas que a gente cria e dá forma, monstros que alimentamos, sombras que merecem a luz do sol. Desculpas que ficaram guardadas e precisam ganhar o mundo, perdões para si e para os outros que ficaram empilhados. Por que a gente tem esta estranha mania de semear negativismo? Por que a gente insiste em se anular?

Mas começo do ano é tempo de novos projetos, de fazer planos mirabolantes, promessas, passar a agenda a limpo. Certo? Pra mim funciona um pouco diferente. E quero dividir este aprendizado com você. Aprendi que os projetos demandam disciplina e que é preciso estudar bem, pesquisar antes de executá-los. Nada se cria e se concretiza num piscar de olhos. Parcerias podem te ajudar, desde que haja um entendimento mútuo e que tudo seja às claras, bem definido. Planos mirabolantes? Vamos ser pé no chão, minha gente? Criar e ter ideias é maravilhoso, fundamental, mas eu sempre prefiro pensar no possível. Não que o impossível seja uma ilha distante. Mas ter a consciência de que TUDO requer trabalho, paciência e organização já é um bom passo. Cansei de ver amigos que elaboraram mil coisas, mas que não executaram nenhuma. Fazer uma pequena lista pode ser mais sábio do que ter um monte de itens estratosféricos. Menos expectativa, mais manga arregaçada. E se não der certo, pelo menos você agiu. Tire lições de tudo, mesmo quando algo não sai do jeito que imaginou.

No ano passado prometi que ia emagrecer, ler mais e ter mais tempo pra mim.

Consegui por a literatura em dia, menos em quantidade e mais em qualidade. Ganhei momentos de extremo prazer e conhecimento. Ponto positivo! Também me dei mais tempo. Esta escolha acarretou algumas perdas: menos festinhas, menos presença em baladinhas e aniversários. Mais momentos ao lado de quem amo, mais sonhos, mais descanso, mais casa. E ai percebi que – mais uma vez – qualidade é muito melhor do que quantidade. Até mesmo em relação a pessoas.

Fiz uma limpeza nas redes sociais, exclui quem me incluiu apenas para fazer figuração, gente que mal olha na cara quando encontra na vida real, outros que não se manifestam e que ficam apenas observando. Exclui da agenda e da obrigação de encontrar gente que diz que sente saudades mas não toma uma atitude. Gente que finge que é amigo, mas não move um dedo pra te ajudar.

Quanto a atividade física? Bem, não emagreci do jeito que queria. Não obtive a barriga do jeito que idealizava. Mas troquei de academia por uma mais simples, ao lado de casa. Troquei a atividade física da qual não gostava por uma que tem a minha cara. Desisti do abdômen tanquinho pelo prazer, deixando de rimar “no pain, no gain”. Se trocar de ano é como trocar de roupa, dei espaço às peças mais leves, soltas, com mais cor. Dou um suspiro antes de prosseguir. Há muito o que fazer! Mas vamos com alegria, vamos nos permitir!

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