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Quando a vida estiver meio chata: festa, baile!

Por Roberta D’Albuquerque

 

Vivi minha infância cercada por rituais de celebração, a maioria deles era um oferecimento cheio de doçura de minha mãe. Ela acreditava, e acredita até hoje, que a vida pode ser mais leve. Tenho me observado criando por aqui também, alguns rituais para as meninas.

 

Para as meninas não, para nós todos. Começou por acaso em um dia de confusão entre elas, um dia que as duas estavam brigando por qualquer coisa e

Foto: Freerange Stock

por coisa nenhuma. No auge de minha irritação, mandei todo mundo para o banho, quase como quem manda para um castigo. Enquanto elas estavam lá, acendi uma vela, liguei o som e fui pouco a pouco voltando ao meu estado normal.

Um tantinho arrependida pela bronca que distribuí, um tantinho animada pela minha playlist, mandei as meninas se vestirem formalmente: íamos a uma fe

sta. Enquanto elas obedeciam aborrecidas, acendi um tanto de luzes de Natal, aumentei o som, pus a mesa com a louça guardada que ganhei de minha mãe e o baile estava pronto. Dançamos as lenta e as soltinhas, cantamos juntos, trocamos de DJ umas 500 vezes, é certo que foi preciso ouvir uns Justin Biebers aqui, umas Taylor Swifts ali, mas nos divertimos como uma turma. Dormimos roucos e cansados. E é esse tipo de cansaço que me interessa ultimamente.

Nem é preciso dizer que repetimos esse expediente muitas e muitas vezes. Semana passada, quando estávamos em mais uma dessas farrinhas, fiquei comovida. Por um segundo, tive a sensação de estar vivendo em uma dessas fotografias do passado. Senti ali, uma alegria verdadeira e uma saudadezinha antecipada dessa turma. Enquanto as meninas cantavam alto e dançavam abraçadinhas, pensei no tempo em que elas vão preferir outros pares, outras celebrações, outras músicas, outros.

Quero pensar que quando esse dia chegar, minhas meninas terão aprendido comigo (e com minha mãe, meu marido e minha família deliciosa e barulhenta) que comemorar é preciso. Fico feliz por saber que mostramos a elas a importância dos rituais, a necessidade de dançar, gritar o refrão, acender as velas, os pisca-piscas. O valor de se vestir a altura do que quer que seja, de comer com gosto, de pular, bater palmas com força, suar e dormir cansado.

É um feito, não é? Feito digno de… uma festa baile!

 

  Roberta D’Abuquerque é psicanalista e escrever para diversas publicações brasileiras sobre infância e maternidade. Ela também é colunista da revista Claudia.

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