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Pensando: Saudações, malandragem…

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ais uma pra minha coleção de casos do tipo “nunca teve tão bom” (pois como eu já disse antes, eu me recuso a dizer “no meu tempo é que era bom”): sabe aquele vídeo da funcionária da Assembleia Legislativa de Goiás que sai correndo da repórter depois de ser flagrada batendo ponto e indo morcegar na pracinha? Eu achei até engraçado uma reportagem dessas só aparecer agora, pois lembro nitidamente de quando era pequeno, visitando a Assembleia de MG, achar o máximo como todo mundo ali se encontrava na entrada, batia ponto naquela máquina que eu achava encantadora, e depois voltava pra rua pra comer pão de queijo, tomar cafezinho… Meu sonho era trabalhar ali, pois na minha cabeça de criança, o trabalho era bater papo e comer pão de queijo. E é por isso que eu digo, petiz: toda a pilantragem que você vê hoje sempre existiu, só que antes ninguém estava nem aí. Hoje ela dá ibope…

Na última edição eu contava que, agora que o verão acabou, sou obrigado a me concentrar nessa atividade nefasta que o canadense tanto adora: trabalhar. Comecei um emprego novo esse ano, pela primeira vez em uma empresa de TI 100% canadense onde falar português não é necessário. Contei da luta que é sair de downtown e descer pra divisa de Etobicoke e Mississauga pegando TTC todo dia, mas ficou faltando contar como é a vida na empresa.
Posso contar em uma linha: é terrível. Você viu foto na internet do escritório da Google e achou lindo, né? Tem chuveiro, academia, sofazinho… Pois eu sento em volta de cabos, computadores velhos, caixas de papelão, um monte de homem feio, e fora aquilo ali nós temos uma cafeteira na cozinha. Vá lá, eles até compraram uma churrasqueira no verão, mas fizeram dois churrascos de hambúrguer e pronto. E ainda regularam a Coca! Aí Jamanta mata Sandrinha, né? Eu não aguento não.

Mas o duro foi quando o dono do grupo de empresas foi lá visitar a nossa. Parecia Presidente Figueiredo visitando as obras da Transamazônica, com aquela comitiva atrás mostrando as paradas, aquela conversaiada… Fiquei vendo o cortejo passar pelo corredor enquanto conectava o celular à rádio do Brasil pra ouvir os gols do Galo, na voz de Mário Henrique, O Caixa. Mas eis que alguém me chama bem na hora em que eu ia conectar o fone de ouvido, interrompendo o processo. Passa a comitiva do Figueiredo ao meu lado, mostrando a ele as belezas da selva, o macaco, o boitatá… O celular se conecta à rádio e berra “Caixa! Caixa! É Caixa! Gooooooool…”. Naquele momento, foi como se todos os ministros e puxa-sacos fizessem silêncio de repente, e só se ouvisse ao fundo um papagaio no meio do mato mandando o Figueiredo ir caçar a mãe dele na casa das tias. Cê acha que eu levei esculacho? Imagina o dia em que esqueci que estava de plantão telefônico e fui pro Bar da Maria ver Atlético e Flamengo. Adeus, cinco letras que chora.


Por Cristiano de Oliveira

Cristiano de Oliveira é mineiro de Belo Horizonte, atleticano de passar mal do coração, formado em Ciência da Computação no Brasil e pós­­­­­graduado em Marketing Management no Canadá. Começou escrevendo sobre música no Brasil News em 2004, mas agora já descambou.

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