O fim das festas lotadas com portas e janelas fechas - Brasil News
Cristiano de Oliveira

O fim das festas lotadas com portas e janelas fechas

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Saudações, torcida da Caldense. Vou avisar de novo: o melhor self-service por pessoa (ou na língua do nativo, “all-you-can-eat buffet”) de Toronto para brasileiros é o almoço beneficente mensal do Joanna de Angelis. Sai mais barato que o Mandarin, e ao invés de comer aquela comida sino-paraguaia, você come é feijoada até cair pra trás. Bom, não sei se esse mês será mesmo feijoada, pois no verão eles gostam de variar o cardápio, mas mesmo se não for, será outro prato brasileiro que ninguém faz mais gostoso. Eu recomendo com força. Dia 31 de maio, do meio-dia às duas, no 1357 B Dundas Street West (Dundas West e Dovercourt).

Ainda bem que o verão chegou, pois já tô sem inspiração pra escrever. Quem é que arruma assunto trancado em casa, só saindo pra trabalhar e ir a festa em casa dos outros no sábado à noite, tomar vinho e ficar socado numa cozinha lotada sem nem conseguir se mexer pra coçar o nariz? Festa no inverno é o inferno! Chegar à festa por si só já é gincana do Viva a Noite do Gugu: a primeira prova é pular a montanha de sapatos à porta e arrumar um lugar para a sua bota naquele lamaçal. Prova dois: arrumar uma peste dum cabide pra pendurar seu casaco. Quem não acha um, empilha ali no canto. Um monte de casacos que não veem lavanderia há 300 anos, tudo amontoado… O gato do dono da casa passa ali e até cava. O bed bug parece menino vendo parada de sete de setembro, cada hora chega um casaco melhor que o outro, ele fica só batendo palma, pra no final escolher um e pedir ao sargento pra entrar dentro e ver como é.

Quando você finalmente se livra das caparungas (termo extraído do dialeto caratinguês do meu pai), já dá de cara com a próxima provação de Jó: entrar na festa. Como casa canadense costuma ser tão espaçosa quanto cabine telefônica de praia (lembra antigamente na praia, que pra telefonar a gente ia à central? Do tempo do boitatá…), em dia de festa aquilo entope rapidinho e ninguém vai a canto nenhum. Pra sair da porta, você leva meia hora. Pra chegar à cozinha e colocar sua cerveja na geladeira, mais meia hora. Mas pra alguém catar sua cerveja alemã e deixar uma Molson Canadian no lugar, bastam cinco minutos.

Ninguém senta, ninguém mexe, ninguém entra, ninguém sai, ninguém beija ninguém, ninguém dança lambada. Horas e horas em pé, discutindo trabalho, ouvindo arezia, pedindo licença 800 vezes pra abrir a geladeira, comendo Cheetos ou chuchando cenoura naquele molhinho sem-vergonha de isopor com ervas.

Vá com Deus, inverno, e leve suas festas com você. Um dia, um ser de luz descerá à Terra dos homens, e desse dia em diante, toda festa de inverno acontecerá no meio da rua (dane-se o frio!), ou em campo de futebol, ou qualquer outro lugar onde eu possa coçar a orelha sem acertar 40 pessoas com o cotovelo no decorrer do processo. Adeus, cinco letras que choram.

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