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O bolo de rolo, considerado patrimônio cultural e imaterial de Pernambuco, conquista cada vez mais consumidores no Canadá

Pernambucanos com a mão na massa

O bolo de rolo entrou para a história da gastronomia brasileira em abril de 2008 quando a lei número 13.436 classificou a iguaria de bem cultural e imaterial do Estado de Pernambuco. No Canadá, dois imigrantes da terra do frevo e do maracatu estão conquistando o paladar de muita gente com a produção e o comércio do bolo de rolo.

O artista plástico, Diógenes Rodrigues, veio morar no Canadá em agosto do ano passado. Antes de fazer as malas, ele fez curso sobre gastronomia pernambucana e aprendeu a fazer bolo de rolo. “Busco difundir a cultura da minha cidade.”

A produção é caseira, mas Diógenes Rodrigues planeja, em breve, abrir fábrica de bolo de rolo no Canadá.

Diógenes chega a produzir oito quilos de bolo de rolo diariamente sendo responsável sozinho pela produção e comercialização do produto. “Todo trabalho é artesanal e realizado em casa”, disse.

Segundo Diógenes, cada bolo de rolo tem que ser tratado de forma especial e que o mesmo precisa ser considerado uma escultura de arte. “Outra grande particularidade (do bolo de rolo) são suas finas camadas, a qualidade dos ingredientes e todo o carinho com o qual é feito”, afirmou.

Diógenes criou a marca Docenambuco e tem planos de abrir uma fábrica para produção de bolo de rolo. “Produzo os sabores goiabada e doce de leite e estou analisando em fazer bolo de rolo de blueberry”, disse.

                                                 Lição de casa

Outro pernambucano com a mão na massa e que está fazendo da produção de bolo de rolo uma renda extra é o consultor de mercado imobiliário, Paulo Azevedo que mora no Canadá há quase dois anos.

Segundo Paulo, devido ao estresse da profissão, ele usava a produção de bolos como válvula de escape. “Adorava chegar em casa depois de um dia bem cansativo de trabalho e ir pra cozinha fazer bolo prestígio, um dos meus favoritos até hoje.”

Fazer do comércio do bolo de rolo uma fonte de renda única no orçamento está nos planos de Paulo Azevedo.

Paulo afirmou que faz bolo desde a adolescência e que aprendeu com a mãe. Para ajudar nos gastos com os estudos, ele vendia bolos na faculdade e disse que chegou a fazer cursos para ganhar mais experiência.

O bolo de rolo é o carro-chefe nesse tipo de negócio para Paulo. “É por que transborda cultura pernambucana em cada fatia. Sou fã”, declarou

Com um volume de produção diária de 15 quilos de bolos de rolo, Paulo tem a ajuda de três pessoas que – segundo ele, elas cuidam do trabalho de preparação, embalagem e distribuição.

                                     Mídias sociais: a vitrine dos negócios

Atendendo a clientela com a marca Mr. Paul, o recifense tem conquistado uma boa fatia de mercado com a adoção de novos sabores para cair no gosto dos canadenses. “Fazemos o bolo de rolo de blueberrie, red velvet e o de maple.”

Paulo planeja dedicar-se exclusivamente à produção de bolos. Tanto ele quanto Diógenes usam – entre outros meios, as mídias sociais para divulgar e comercializar a produção de bolos. “Os amigos também ajudam bastante a divulgar, uma vez que os brasileiros já conhecem o produto e dessa forma apresentam para as pessoas de outros países”, disse Diógenes.

                                           

                                                                                 Bolo de rolo: origem no tempo colonial português

Feito basicamente com farinha de trigo, ovos, manteiga, açucar e enrolado com uma camada de goiabada derretida, o bolo de rolo pode ser até confundido com rocambole. Mas essa delícia de dar água na boca teve sua origem pelas mãos dos portugueses. Após lançarem a âncora no Brasil, eles mudaram a receita do colchão de noiva – uma espécie de pão de ló de camadas grossas com recheio de amêndoas. Os lusitanos trocaram o recheio pela goiaba – fruta bastante popular na Zona da Mata, e também capricharam na dosagem de açucar – outro produto bem rico nos engenhos daquela época. O preparo foi mudando, a massa foi ficando cada vez mais fina e parecida com um rolo – daí o nome bolo de rolo.

 

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