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Atriz Leandra Leal lança filme em Toronto

Ela trouxe para o Hot Docs o documentário ‘Divinas Divas’

por Jandy Sales

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atriz Leandra Leal debutou na carreira de diretora com filme-documentário que fala de um grupo de travestis que tinha endereço para soltar a franga com muito rebolado e orgulho. Tudo isso em plena ditadura militar brasileira.
Leandra Leal esteve em Toronto para o lançamento do filme ‘Divina Divas’, no Hot Docs, o festival internacional de documentários do Canadá – o maior da América do Norte.

No filme, ela reabre as cortinas do Teatro Rival e mostra o lado glamuroso e também muitas vezes sem brilho de uma turma de travestis. O filme Divinas Divas narra estórias de um bando de travestis numa época em que para ser um homem-feminino não exigia apenas jogo de cintura, mas também coragem para enfrentar de salto alto a cultura do ‘macho man’ com muito charme e sem perder o equilíbrio. Tudo sob ameaça de censura e cassetete.

Segundo lar

O arco-íris brilhava forte no Teatro Rival, no Rio de Janeiro – fundado em 1966. O local tinha no comandado Américo Leal, avô da diretora do filme, Leandra Leal. Ele convidou para pisar o palco do teatro, na época, figuras como Rogéria, nome que até hoje é uma referência no cenário gay brasileiro.

O Teatro Rival era tipo um segundo lar para Leandra Leal. Ainda criança, ela recebia os mimos da família e dos artistas na casa de espetáculo. Leal cresceu cercada pela trupe com os nomes mais badalados da cena gay carioca dos anos 1960s que – além de Rogéria, brilhavam no palco Jani Di Castro, Divina Valéria, Camille K, Fujika de Halliday, Eloina dos Leopardos, Marquesa e Brigitte Búzios.
Américo Leal era produtor cultural e encarou a forte censura da época. “Era plena ditadura militar no Brasil e o teatro enfrentava uma situação difícil”, afirmou a diretora ao responder perguntas da platéia após a primeira de três exibições do filme durante o festival.

"É muito importante que novas gerações vejam esse filme", afirmou Leandra Leal

“É muito importante que novas gerações vejam esse filme”, afirmou Leandra Leal

O avô

“Eu não sei o motivo, mas meu avô era uma pessoa de mente aberta e bastante divertido”, afirmou Leandra Leal quando indagada por que o avô abriu um cabaret com estrelas travestis. “Quando eu comecei a fazer o filme, sempre procurava saber como ele era. Isso porque vovô foi uma pessoa muito importante na minha vida e na vida da minha mãe.” A diretora é filha da atriz Ângela Leal.

Leandra Leal demorou seis anos para concluir o filme o que resultou em mais de 400 horas de imagens gravadas. Ela mostra em Divinas Divas o ensaio para o show de comemoração dos 50 anos do Teatro Rival. “Eu decidi filmar os ensaios por que elas não conseguiriam, assim, esconderem quem realmente são. E o teatro é também uma personagem no filme. Eu amo esse teatro e os bastidores. É o meu mundo.”

Com quase duas horas de duração, Divina Divas tem um tom de lamento logo na abertura. A cena iniciais expõe a personagem Marquesa – que morreu dois anos atrás bem antes do lançamento do filme.

O longa-documentário segue com seus altos e baixos, e muitas vezes vai no embalo pelas eternas vozes de Nelson Gonçalves, Edith Piaf, Gloria Gaynor, entre outros.

As novas gerações

“É muito importante que as novas gerações vejam esse filme e reconheçam onde, quando e quem enfrentou toda aquela situação que abriu caminho para outras pessoas”, disse.

A atriz e diretora Leandra Leal arrancou aplausos da plateia e grito “Fora Temer” quando ela afirmou que há hoje no Brasil o surgimento de uma onda conservadora. “É algo muito louco. Esses travestis começaram suas carreiras durante a ditadura militar, mas hoje a realidade está sendo muito mais difícil para eles.”

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